LIÇÃO
06 – SANTIFICARÁS O SÁBADO
TEXTO
ÁUREO
"E disse-lhes: O sábado foi feito
por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado." (Mc 2.27)
VERDADE
PRÁTICA
O quarto mandamento envolve os aspectos
espiritual e social, diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e ao
mesmo tempo com o próximo.
INTRODUÇÃO
As controvérsias deste mandamento giram
em torno da sua interpretação. Temos aqui a relação trabalho-repouso e ao mesmo
tempo o relacionamento de Deus com Israel. A necessidade de um dia de repouso
após seis jornadas de trabalho é universal, mas o sábado é um presente de Deus
para Israel. O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando
se conhece o propósito pelo qual ele foi dado.
I -
O SÁBADO DA CRIAÇÃO
1. O
shabat. Deus celebrou o sétimo dia após a criação e abençoou
este dia e o santificou (Gn 2.2,3). Aqui está a base do sábado institucional e
do sábado legal. O sábado legal não foi instituído aqui; isso só aconteceu com
a promulgação da lei. O substantivo shabbat, "sábado", não aparece
aqui, na criação. Surge pela primeira vez no evento do maná (Êx 16.22, 23). A
Septuaginta emprega a palavra sabbaton, "sábado, semana", a mesma
usada no Novo Testamento grego.
2.
Deus concluiu a criação no dia sétimo. Deus completou a sua obra
da criação no sétimo dia. Deus "descansou" ou seja, cessou, é o
significado do verbo hebraico usado aqui, shabat, "cessar, desistir,
descansar" (Gn 8.22; Jó 32.1; Ez 16.41). Esse descanso é sinônimo de cessar
de criar, e indica a obra concluída. Não se trata de ociosidade, pois Deus não
para e nem se cansa (Is 40.28; Jo 5.17).
3. A
bênção de Deus sobre o sétimo dia. Ele abençoou e santificou o
sétimo dia como um repouso contínuo, na dispensação da inocência, mas isso foi
interrompido por causa do pecado. Agostinho de Hipona lembra que não houve
tarde no dia sétimo, e afirma que Deus o santificou para que esse dia
permanecesse para sempre (Confissões, Livro XIII, 36). O sábado da criação
aponta para o descanso de Deus ao mundo inteiro no fim dos tempos:
"Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hb 4.9).
II -
O SÁBADO INSTITUCIONAL
1.
Desde a criação. É o sábado para descanso de todos os povos.
É uma questão moral que Deus estabeleceu para a raça humana ao comemorar a
criação. Tornou modelo e uma forma natural para toda a raça humana. É a ordem
natural das coisas: os campos precisam de repouso, as máquinas necessitam parar
para manutenção e assim por diante (Lv 25.4). O sábado institucional, portanto,
não se refere ao sétimo dia da semana; pode ser qualquer dia ou um período de
descanso (Hb 4.8).
2.
Não era mandamento. O sétimo dia da criação não era mandamento,
mas revela a necessidade natural do descanso de toda a natureza. O repouso
noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse
dia não somente para comemorar a obra da criação mas para que, nesse dia, todos
cessem o trabalho e assim descansem física e mentalmente para oferecer o seu
culto de adoração a Deus.
3.
Os patriarcas não guardaram o sábado. O livro de Gênesis não
menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Segundo
Justino, o Mártir, Abraão e seus descentes até o Sinai agradaram a Deus sem o
sábado (Diálogo com Trifão 19.5). Irineu de Lião diz que Abraão, "sem
circuncisão e sem observância do sábado, 'acreditou em Deus e lhe foi imputado
a justiça e foi chamado amigo de Deus'" (Contra as Heresias, Livro IV,
16.2).
III
- O SÁBADO LEGAL
1.
Significado. É o sétimo dia da semana no calendário
judaico, marcado para repouso e adoração. Foi introduzido no mundo pela lei; é
o sábado legal dado aos israelitas no Sinai. Nenhum outro povo na história
recebeu a ordem para guardar esse dia; é exclusividade de Israel (Êx 31.13,
17). O sábado e a circuncisão são os dois sinais distintivos do povo judeu ao
longo dos séculos (Gn 17.11).
2. O
sábado do Decálogo. A expressão "Lembra-te do dia do
sábado, para o santificar" (Êx 20.8), remete a uma reminiscência histórica
e, sem dúvida alguma, Israel já conhecia o sábado nessa ocasião. Mas parece não
ser referência ao sábado da criação. Ele aparece na promulgação da lei (Êx
20.11), contudo, essa reminiscência não reaparece em Deuteronômio (Dt 5.12-15).
Trata-se, com certeza, do sábado que o povo não levou a sério no deserto (Êx
16.22-29).
3.
Propósito. A instituição do sábado legal no Decálogo tinha um
propósito duplo: social e espiritual. Cessar os trabalhos a cada seis dias de
labor era dar descanso aos seres humanos e aos animais e dedicar um dia para
adoração a Deus. É um memorial da libertação do Egito (Dt 5.15). Duas vezes é
dito que o sábado é um sinal distintivo entre Deus e a nação de Israel (Êx
31.13,17).
IV -
UM PRECEITO CERIMONIAL
1. O
sacerdote no Templo. O Senhor Jesus Cristo disse mais de uma vez
que a guarda do sábado é um preceito cerimonial. Ele colocou o quarto
mandamento na mesma categoria dos pães da proposição (Mt 12.2-4). Veja ainda a
que Jesus se referia quando falou a respeito desse ritual mencionado em Êxodo
29.33, Levítico 22.10 e 1 Samuel 21.6. Disse igualmente que "os sacerdotes
no templo violam o sábado e ficam sem culpa" (Mt 12.5), ao passo que não
existe concessão para preceitos morais.
2. A
circuncisão no sábado. Se o oitavo dia da circuncisão do
menino coincidir com um sábado, ela tem que ser feita no sábado, nem antes e
nem depois. Assim, Jesus mais uma vez declara o quarto mandamento como preceito
cerimonial e coloca a circuncisão acima do sábado (Jo 7.22,23 cf. Lv 12.3). Um
mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza.
V -
O SENHOR DO SÁBADO
1. O
sábado e a tradição dos anciãos. Os quatro evangelhos
registram os conflitos entre Jesus e os fariseus sobre a interpretação do
sábado. A tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado, mas
o Senhor Jesus disse que é "lícito fazer bem no sábado" (Mt 12.12). Isso
Ele fez (Mc 3.1-5; Lc 13.10-13; 14.1-6; Jo 5.8-18; 9.6,7,16) e, por isso, nós
devemos fazer o bem, não importa qual seja o dia da semana.
2.
Jesus é o Senhor do sábado (Mc 2.28). O sábado veio de Deus e
somente Ele tem autoridade sobre essa instituição. Então, não há outro no
universo investido de tamanha autoridade, senão o Filho de Deus. A expressão
"o Filho do Homem", no singular, é título messiânico, não é usual ou
comum às outras pessoas. Está claro que Jesus se referia a Ele mesmo. Jesus
disse que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o
sábado foi criado para o benefício deles (Mc 2.27).
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3.
Dia do culto cristão. O primeiro culto cristão aconteceu no
domingo e da mesma forma o segundo (Jo 20.19,26). Nesse dia o Senhor Jesus
ressuscitou dentre os mortos (Mc 16.16). O dia do Senhor foi instituído como o
dia de culto, sem decreto e norma legal, pelos primeiros cristãos desde os
tempos apostólicos (At 20.7; 1 Co 16.2;
Ap 1.10). É o "sábado" cristão! O sábado legal e todo o sistema mosaico
foram encravados na cruz (Cl 2.16,17), foram revogados e anulados (2 Co 3.7-11;
Hb 8.13). O Senhor Jesus cumpriu a lei (Mt 5.17,18), agora vivemos sob a graça (Jo 1.17; Rm 6.14).
CONCLUSÃO
A palavra profética anunciava o fim do
sábado legal (Jr 31.31-33; Os 2.11). Isso se cumpriu com a chegada do novo
concerto (Hb 8.8-12). Exigir a guarda do sábado como condição para a salvação
não é cristianismo e caracteriza-se como doutrina de uma seita.
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Referências
Revista Lições Bíblicas. OS DEZ MANDAMENTOS, Valores divinos para uma sociedade em
constante mudança. Lição 06 – Santificarás o sábado. I – O sábado da
criação. 1. O shabat. 2. Deus concluiu a criação no dia sétimo. 3. A bênção de
deus sobre o sétimo dia. II – O sábado institucional. 1. Desde a criação. 2. Não
era mandamento. 3. Os patriarcas não guardaram o sábado. III – O sábado legal.
1. Significado. 2. O sábado do Decálogo. 3. Propósito. IV – Um preceito
cerimonial. 1. O sacerdote no Templo. 2. A circuncisão no sábado. V – O Senhor
do sábado. 1. O sábado e a tradição dos anciãos. 2. Jesus é o Senhor do sábado.
3. Dia do culto cristão. Editora CPAD. Rio de Janeiro – RJ. 1° Trimestre de
2015.
Elaboração
dos slides: Pastor, Ismael Pereira de Oliveira